a chuva eterna
o terno molhado no cabide
uma visita inesperada
o acaso
um hóspede que fica
o hospedeiro que vai
um pernilongo rondando
enquanto
o maribondo emite
sinais de wi-fi
não me diga o que sabes
de nada me interessa o texto
o discurso
o curso de um rio
que contorna cordilheiras
nada me parece tão falso
quanto a realidade
resta efêmera a efeméride
da partida
sem volta marcada
sem ressentimento
incógnita anônima e atônita
seguir
o destino de sentirmos
o desconhecido

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