a chuva eterna
o terno molhado no cabide
uma visita inesperada
o acaso
um hóspede que fica
o hospedeiro que vai
um pernilongo rondando
enquanto
o maribondo emite
sinais de wi-fi
não me diga o que sabes
de nada me interessa o texto
o discurso
o curso de um rio
que contorna cordilheiras
nada me parece tão falso
quanto a realidade
resta efêmera a efeméride
da partida
sem volta marcada
sem ressentimento
incógnita anônima e atônita
seguir
o destino de sentirmos
o desconhecido
meu doce é ácido
terça-feira, 25 de abril de 2017
sábado, 22 de outubro de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
+o+
sigo no meio fio porque perdi o fio da meada
dia noite norte madrugada oriente ocidente
distante tudo é nada
sigo no meio dia na meia noite trilho a estrada
trilho ciente silente o que meus olhos veem
o coração a chuva lava
quarta-feira, 13 de maio de 2015
antes
fosse quântico
fosse cósmico
fosse cômico
fosse tântrico
fosse tímido
fosse tórrido
fosse úmido
fosse o último
fosse único
fosse a margem
a coragem
meu espanto
fosse o gozo
no meu corpo
esse lance
fosse tátil
fosse fácil
fosse crime
fosse ágil
fosse plágio
o sublime
fosse fóssil
fosse o máximo
fosse o mínimo
fosse antes
a virtude
e o declínio
fossem os olhos
as estrelas
do caminho
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
saudades de ceumar
a casa os canais
o mar do outro lado
o mar andar
de bicicleta e ver
o mundo todo
rodar girar
entardecer
de outro lugar
distante
se o mundo fosse
tão pequeno
antes
ouviria os sinos
os brados
se o mundo fosse
justo
a beleza se dividiria
em pétalas
que choveriam
só pra você
se acaso os canais
interromperem o fluxo
e os diques da cidade
não suportarem a força
de Posseidon
reza aos deuses todos
desvia o curso do destino
oferece a dádiva
da lembrança
toda distância
é pura imaginação
descansa do seu cansaço
enche os olhos
de alegria
canto que atravessa o dia
sereia que seria
o sonho de estar aí
um dia
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