quarta-feira, 16 de abril de 2014

se

quando lua nova
vaza em peixes
quero confundir meu corpo
quente 
com tua pele branca
quero confundir a alma
os poros e a química
com as folhas e os cantos
e a grama
quero confundir os santos
e os pontos
quando a lua em peixes 
vaza nova de volta
nesse ano nesse ato insano
nesse engano
lembro do encontro
dos olhares antigos
que furtamos
pra esquecer
que isso não passa
de um verso incômodo e morno
transtorno de personalidade
condições de possibilidades
que as minhas mãos solitárias
apalpam na caixa de retalhos 
no fundo da gaveta do armário
naquele poema completo
escolhido a dedo
que no silêncio do segredo
me despiste muito bem



ele gosta de uma loira
ela prefere o whiskey
ele com um copo de gym
ela - gelo com arak
ela virou um conhaque
ele vem e vira as costas
ele chegará mais cedo
quem sabe quando ela volta 
então ele desaparece
dai ela faz um poema
ele finje que esquece
e ela bebe uma cachaça
enquanto ele só ameaça
ela chega mais perto
ele muda de assunto
ele morre de medo
ela muda de ideia
ela morre de inveja
ele volta da festa
ele prefere gelada
ela diz que não gosta
ela propõe uma aposta
ele disse a que veio
em poucas palavras
ela leu em seus olhos
o que ele admira
ela exala magia
ele esboça um sorriso
ela esquece o que disse
ela pensa que ele ama
ele ama o que ela pensa
ele não sabe quem ela é
ela não sabe o que quer


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